quarta-feira, 20 de junho de 2012

Jaquetas Ecologicas

Muitas de nós mulheres fazemos questão de andar sempre muito bem vestidas, e adaptar tendencias a nosso estilo de vida. Uma das peças que mais destacam quando falamos de estilo é o couro. E esse post vai para você que, como eu, carrega no coação um 'v' bem grande de vegetariana.

Nem parei para procurar, mas deve ser difícil encontrar algum item de couro sintético por aqui na minha cidade. Então fui direto para a internet, pois estou atras de uma jaqueta para compor meu guarda roupa Ramone Girl (risos), e achei um site ótimo. Lindas jaquetas ecológicas e com frete grátis aqui para vocês. Pelas fotos são lindas, e a variedade de modelo é grande.

A minha ainda não chegou, mas estou ansiosa para anunciar se gostei.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Momento Concernente 12


Baixe aqui.

Se você, como eu, se senti nua por não encontrar arquivos da internet para baixar tenho duas boas notícias que algumas ja devem saber.

O servidor de compartilhamento de arquivos online Mediafire ainda funciona muito bem e os do Torrent também. Quando for procurar algo, já sabe por onde começar. E, ah, o YouTube ainda têm muitos filmes completos. Estarei por aqui disponibilizando tudo que eu tiver em casa, seria ótimo se me enviassem alguns também.

A Garota Cínica está de volta à ativa, dear (agora com muito menos propagandas)!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Medo por ser mulher

Recebemos um email de Ariane Corniani relatando a violência que sofreu nas proximidades de uma estação de metrô em Sâo Paulo. Ariane tem 25 anos e publicou seu depoimento no blogMistura Urbana com o título “O dia que eu tive medo por ser mulher”:

Hoje eu fui à subprefeitura da Mooca, em São Paulo, resolver uns problemas da minha empresa. Por ser muito próximo à estação Bresser-Mooca do metrô, voltei andando até a estação para mais um dia de trabalho. Nunca tive problemas, conheço o bairro há mais de 10 anos e nunca fui vítima de nenhum crime, estava bem tranquila. Ao atravessar a Radial Leste, sob o Viaduto Bresser, um homem começou a “mexer” comigo, me chamar de gostosa e outras obcenidades piores que não tenho interesse em repetir mais uma vez. Fiquei com medo porque nem os moradores de rua que costumam ficar pela região estavam por lá. A rua estava vazia, apesar de já ser 10h. Não tem comércio, salvo alguns botecos bem pés-sujos, não tinha pra onde correr ou a quem pedir ajuda quando os ~elogios~ passaram a ser ameaça de estupro: entre outras coisas o homem dizia que ia me furar e fazer barbaridades comigo, eu acelerava o passo e a fonte das ameaças também. Desesperada, virei pra trás pra reconhecer o indivíduo, que não passava de um, aparentemente cinquentão, branco, apresentando sinais de embriaguez, com não mais de 1,60m. No ímpeto do ódio, também querendo chamar atenção de quem pudesse ouvir, soltei um sonoro “VAI SE FODER, SEU FILHO DA PUTA!”, e corri. Não tinha policial na rua, um ou outro transeunte ou taxista passava, saí correndo, me atirando na frente dos carros e entrei no pronto-socorro do hospital logo adiante.

Suando em bicas, chorando, tentando telefonar para o meu marido e ainda assim ABSOLUTAMENTE NINGUÉM na recepção do pronto-socorro se mostrou solidário. Olhando pela janela pude ver o agressor passando duas vezes em frente ao hospital. Sentei na recepção e esperei o tempo passar. Quando achava que estava tudo bem, saí rumo ao metrô, observando se não era seguida. Não era. Mas para minha surpresa, ao adentrar na estação, o agressor estava lá, na fila da bilheteria. Nunca tive tanto medo e TUDO passou pela minha cabeça: “esse cara vai me ver e vai me seguir”, “vai saber onde eu trabalho”, “vai continuar mexendo comigo”… Atravessei o bloqueio e fui direto pedir socorro a um grupo de seguranças do metrô, que prontamente abordaram o indivíduo e tentaram me proteger da exposição. Num canto reservado registraram a ocorrência e tentaram me acalmar com um copo d’água. Me informaram sobre os procedimentos necessários para o registro criminal da ocorrência, que faz muita gente desitir de prosseguir com a queixa. Certa de que, como mulher, é minha OBRIGAÇÃO impedir que pessoas nojentas como esse homem fiquem livres para ameaçar, agredir ou pior, estuprar outras mulheres, decidi prestar queixa. Continue lendo em O dia em que eu tive medo por ser mulher.
Vagão exclusivo para mulheres no metrô do Rio de Janeiro. Foto de Eduardo Naddar/Agência O Dia

Ariane não foi estuprada e nem sofreu lesão corporal, mas pergunto: é comum um homem passar pelo que ela passou nas ruas de uma grande cidade? É comum um homem ser assediado por meio de palavras grosseiras e em seguida ser perseguido e ameaçado de estupro? Sabemos que não. E essa infelizmente é uma face da misoginia e do machismo com a qual muitas mulheres precisam conviver. Nós já falamos inúmeras vezes que o machismo não atinge apenas as mulheres, mas infelizmente essa é uma de suas formas mais evidentes.

São fatos que limitam o direito das mulheres ao espaço público. Essa interdição reflete uma dicotomia entre pessoal e político, que o feminismo tenta desconstruir. Nas cidades – onde se exerce o que ficou conhecido como cidadania – a presença da mulher ainda é conflituosa. Homens e mulheres têm vidas urbanas diferentes; mesmo que a falta de segurança seja um problema para todos, para as mulheres o medo é maior. Continue lendo em O corpo é meu, a cidade é nossa por Barbara Lopes.

Nas cidades brasileiras o assédio representa uma das formas mais perversas de violência contra a mulher. Em transportes coletivos as roçadas, encoxadas e passadas de mão são práticas cotidianas, que muitas vezes paralisam, pois as mulheres não são educadas a revidar, somos ensinadas a baixar a cabeça e seguir nossos caminhos. Talvez algumas pessoas pensem que o caso de Ariane é isolado, que o sujeito que a ameaçou e perseguiu é um maluco, mas não é isso que vemos nos relatos de várias mulheres pela internet:

Saindo da área do camping, percebi que não estava com minha credencial, abri a bolsa e comecei a procurá-la e ao ver que eu ia para barraca e falei para o meu filho me esperar lá, ele decidiu me acompanhar (achei esquisito, mas pensei que ele estivesse desconfiado que eu não possuísse crachá). Quando chegamos, vendo que eu só tinha a chave de duas barracas, perguntou onde estava “o meu esposo” – e a burra aqui ainda disse que não tinha mais “esposo”. Ele ficou olhando eu procurar o crachá, com metade do corpo fora da barraca, metade dentro, e enquanto isso puxava assunto. Quando eu estava terminando e me levantando pra sair da barraca, ele falou: “Viu, eu vou querer tomar um café com vc. Mas não agora! Mais tarde, lá pelas duas da manhã”. E quando eu havia finalmente me levantado ele me pegou pelos braços (sabem meninas, quando não dá muito pra mexer o braço?) deu um daqueles olhares incisivos e disse com voz enfática ” porque mulher como vc não é pra ficar sozinha por aí”. Continue lendo em Assédios por Ladyrasta.

Quase todo o dia tenho que me conformar com um “aí sim, hein?!” (esse já virou clichê!), “oi princesa”, “que coisa linda”… e por aí vai. Até aí eu aguento e se estou em dias bem humorados, até dou uma risada simpática como resposta. Outras vezes mostro aquele dedo para dizer “não quero papo” e outras grito um sonoro “vá se f*” e sigo pedalando. Mas, uma hora a gente perde todo o tipo de paciência. E a minha hora chegou hoje.

Nove horas da manhã, indo para o trabalho, na Rua Simão Álvares, entre as ruas do Pinheiros e Arthur Azevedo, em uma subidinha me aparece uma kombi escrita Horti-Fruti com quatro rapazes dentro. O passageiro do banco da frente enfiou o rosto para fora para jorrar algumas frases obscenas que não tenho coragem de repetir aqui. Eu poderia seguir o meu caminho, estava atrasada, pra quer dar atenção a estes cabeças de bagre? Mas hoje a minha tolerância se esgotou. Continue lendo em Desculpas… por Evelyn.

A violência está espalhada pelos centro urbanos. Porém, homens e mulheres vivem, sentem medo e enfrentam experiências e restrições de maneiras diferentes. Mulheres sentem muito mais medo do assédio e da violência sexual, seja de dia ou de noite. Há desde preocupações com o assédio sofrido nos transportes coletivos até a preocupação com estupros que limitam a mobilidade das mulheres e reduzem seu acesso a espaços públicos. Porém, o pior é saber que muitas vezes as mulheres são culpabilizadas pela violência que sofrem:

Passei a andar no vagão das mulheres sempre que saio à noite. Seja em Tóquio, na Cidade do México, em Nova Délhi ou no Rio. O recente caso de uma estudante de 21 anos molestada por um advogado no metrô de São Paulo denuncia o chikan paulistano. Um trem lotado e uma mulher jovem o encorajaram a agir. A moça desmaiou de pânico. Há quem diga que para contornar a persistência do abuso e a universalidade dos chikans a saída seriam os vagões só para mulheres. Enquanto espero o metrô em horários de pico já ouvi a tese de que o vagão feminino seria um privilégio indevido em uma sociedade que não discrimina homens e mulheres. Esse é um falso e superficial julgamento sobre as razões para a segregação espacial no transporte. O vagão de mulheres institucionaliza a violação de um direito fundamental da igualdade de gênero: o direito à mobilidade. O medo do abuso, da violência sexual ou da injúria sexista é uma barreira permanente para as mulheres no direito à mobilidade livre. Continue lendo em Privilégio à custa de assédio por Debora Diniz.
Metro Woman. Foto de Arroz com Nori no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Mulheres sempre tem que ser mais precavidas, temos medo por sermos mulheres.Porém, não devemos ser as únicas responsáveis por nossa segurança. O Estado e a sociedade devem garantir segurança para as pessoas. E segurança não diz respeito só a proteção contra a violência, mas também as decisões que as mulheres são forçadas a tomar, referentes as roupas que usam ou trajetos que precisam fazer, por medo ou insegurança. A falta de liberdade das mulheres nas cidades também está relacionada ao “lugar” da mulher na sociedade. Às regras conservadoras que ditam o que é apropriado ou não para uma mulher. E a mídia segue perpetuando esses paradigmas ao retratar a violência contra a mulher travestida de humor no programa Zorra Total e em vários outros programas. O programa de tv não é o culpado por existirem casos de assédio no metrô, mas ao retratar violência e assédio como piada, corrobora e reforça um comportamento abusivo.

O debate da violência contra a mulher seja nos transportes públicos, em casa, nos espaços de militância política, hospitais, universidades são debates concretos, é preciso desmistificar o simbólico que muitas vezes está entranhado em nossa sociedade, porém apenas com apontamentos de soluções efetivas para combater a violência nestas diversas frentes é que nós mulheres realmente teremos avançado na disputa pela nossa própria vida; algo que tanto para o senso-comum, quanto para a grande mídia parece não ter grande relevância, mas pra nós que a vivemos cotidianamente. Continue lendo em Violência contra a mulher: dos abusos do metrô até a violência institucional por Luka Franca.



domingo, 4 de dezembro de 2011

Escolhendo sua religião… Ou não…

Um pequeno manual para os perdidos no tempo ou aqueles que não têm tempo para pensar por sí mesmo.

Clique para aumentar 
Fonte: Humor Ateu

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Brigam-se as idéias e não as pessoas


Quero deixar aqui minha clara indignação em relação aos meus “amigos” do facebook. 

Não sei se isto diz de uma necessidade comum a todos, mas esta pessoa aqui presente tem uma necessidade incontrolável de dizer EU DISCORDO, e, sinceramente, gosto de ouvir isso também (desde que o argumentos sejam suficientemente bom). 

Não que compulsivamente eu vá postando despachadamente em todas as atualizações “discordo... discordo... discordo...”, mas sempre que eu vejo algo de que eu sei argumentar contra presente em algum lugar, eu me vou, fala e mantenho. 

E eu discordar não quer dizer que estou certa e os outros errados, só quer dizer que eu discordo. Qual é a graça de mostrar sua opinião e só ouvir os prós, se a graça mesmo está nos contra. Aí aparecem com essa de “Eu não responsável pelo que você entendeu” claro que não é, mas é bom saber quem pensa diferente e ainda mais o porquê. E as pessoas se sentem ofendidas por que discordei, como se eu houvesse as violentado. 

E isso não é motivo para ficarem de cara fechada ou briga. Isso só diz o que todos já sabem que é nada mais nada menos: pessoas são diferentes. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Eu e meus “ismos”

Muita gente tende a concordar que se afirmar em qualquer que seja o ismo, uma conduta ruim, pois está se restringindo a varias possibilidades e reduzindo o seu campo de movimentação. Eu sinto exatamente o contrário, sinto que a cada ismo o meu conhecimento se tornou aos poucos cada vez mais erudito, no sentido real da palavra.

Foi durante a minha pré-adolescencia que entrei para o mundo do rock’n’roll e, ao contrário da maioria dos grupos de adolescente (Papalia, 2006), eu segui só. E minhas queridas amigas preferiram não restringir o seu gosto musical. E eu, ao contrario do pensamento compartilhado e pronunciado por ela, expandi muito mais a quantidade de bandas e de músicos, passei a buscar outras coisas que seguiam o meu gosto e tanto hoje quanto naquela época, conheço muito mais bandas que elas, pois além das que elas conhecem, que são a que todos conhecem, eu conheço as minhas. 

A minha segunda grande escolha, para outros, segunda grande restrição, foi o vegetarianismo, e isto na metade de minha adolescência. Depois deste, ir a uma lanchonete se tornou uma grande aventura, por que grande parte dos salgados tem carne, frango e/ou presunto. A partir dessa escolha e das dificuldades encontradas eu aprendi não apenas a cozinhar, mas também tive conhecimento de diversas plantas. Antes o meu almoço se resumia a arroz, feijão, tomate e um pedaço de algum músculo animal. Depois da minha decisão “extrema” todo dia meu almoço tem o acompanhamento diferente. Durante cerca de 17 anos, provei de quase tudo que um onívoro pode provar, agora provei muito mais.

A terceira que eu acho até que gera mais polemica que a segunda, foi o que eu mais gosto por sinal, o feminismo. Independentemente dessas palavras torna-se ou não parte de minha identidade, eu já defendia os conceitos descrito por ela, mas achava que se machismo é próprio do macho e feminismo é próprio da fêmea, etimologicamente falando, era uma oposição muito grande, um briga muito boba. Mas depois de começar a estudar Simone de Beauvoir, a figura mudou de lado. Senti-me bem, e a vontade de dar o nome para o que eu já era. Depois de me “filiar” ao feminismo e a minha independência de gênero, larguei de ser uma mulher machista, quero dizer, passei a respeitar meu gênero e me respeitar mesmo não sendo “uma mulher para casar” minha vida sexual e amorosa mudou muito e para melhor. Minha ver de ver o mundo dos gêneros se tornou muito mais interessante, aqueles termos moralistas que estavam impregnados em meu vocabulário continuam a sair. A mulher que “dava para todos” parou de ser uma vadia, se tornou uma pessoa livre. E até os termos vadia, piranha, periguete (...), só saem da minha boca para falar de minhas amigas.

Além dessas já ditas venho a mim como efeito teia a bissexualidade e o ateísmo. Esses “ismos” só abriram meu horizonte, estou muito satisfeito com a sensação que eles me proporcionam, embora enfrente muitas dificuldades, mesmo assim, me sinto muito bem com minhas decisões. Não deixei de ouvir musica, de me alimentar bem, de me relacionar intelectualmente ou sexualmente com homens. Faço tudo que sempre fiz, a diferença é que sinto que faço bem melhor. 
_____________________________________
PAPALIA, D. E.; OLDS, S, W.: O Desenvolvimento Humano, Editora Artmed, 2006.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Como decidir se um filme é ou não feminista?


No começo do ano falei do Bechdel Test, um teste que não é bem um teste criado por uma cartunista americana lésbica para determinar se um filme vale a pena ser visto por ela. Para que ela se disponha a sair de casa e ir ao cinema, um filme deve cumprir três regrinhas básicas: 1) ter no mínimo duas personagensfemininas, 2) que falem uma com a outra, 3) sobre algo que não seja um homem. Só isso, mais nada! Pense em quantos filmes não têm pelo menos dois personagens masculinos (com nomes) que falem um com o outro sobre algum outro assunto que não seja mulher. Mas, no caso de personagens femininas, tem um monte que não passa no Bechdel Test, incluindo aí grandes filmes, como Caçadores da Arca Perdida,Trainspotting, Curtindo a Vida Adoidado, Pulp Fiction, O Poderoso Chefão, etc.


O Bechdel Test nos faz pensar em como é absurdo que a forma de arte e entretenimento que atrai mais gente na atualidade seja tão excludente com as mulheres, e como a indústria que é Hollywood praticamente só tem homens na direção, produção e roteiro de uma obra, o que deve influenciar a falta de representatividade feminina. Mas o teste é muito limitado. Ele não determina se um filme é bom (ok, critério totalmente subjetivo), ou se a representação das mulheres é positiva, ou se o filme é feminista. Por exemplo, em quase toda comédia romântica a protagonista tem uma melhor amiga (às vezes substituída por um BFF gay), e elas conversam sobre coisas que não sejam um homem, como... ahn, roupas, maquiagem e forma física. Comédias românticas passam no Bechdel Test, mas passam pra quê?

Pense Sorrindo [42]


Ateísmo para iniciantes

Momento Concernente [11]


Imagine: uma menina com cabelos de Brasil


Arte e educação, é assim que se ensina. 
Um ótimo curta metragem diz muito com muito pouco. Se minhas aulas de geografia no ensino médio ou fundamental tivesse algo assim eu seria alguém mais feliz como os estudos. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Minha filha e o ensino religioso

Introdução do editor: Há algumas situações que ocorrem no Brasil que nos fazem questionar até que ponto nosso Estado está realmente separado da religião, no caso, da religião cristã. Um tema pelo qual eu, particularmente, tenho grande preocupação é oensino religioso em escolas públicas, principalmente quando este é utilizado unica e exclusivamente para o proselitismo de uma determinada denominação, geralmente a Católica, contando inclusive com a anuência e o estímulo do poder público.

Entram no caldo absurdo não só a atuação dos professores, mas também os materiais didáticos utilizados, que em conjunto podem levar à doutrinação compulsória de crianças, ao desenvolvimento de ideias preconceituosas e, até mesmo, ameaçar a liberdade de crença (e de descrença).

O texto abaixo, enviado pelo leitor Reginaldo Medina, ilustra esse tipo de situação com um relato bem pessoal, que pode ser mais comum do que pensamos.

*************************



Este é o primeiro ano de minha filha na escola e faz dois anos que ela espera com muita ansiedade deixar o parquinho para finalmente seguir os passos do irmão numa escola de “verdade”, como ela entende.

Minha menina tem seis anos e desde os quatro é alfabetizada, tanto que hoje assiste a filmes legendados. Finalmente em fevereiro deste ano ela realizou com muito entusiasmo o desejo de vestir o novo uniforme e sentar numa carteira escolar.

Eu já imaginava que tanta expectativa iria acabar um pouco por frustrá-la. Por isso conversei algumas vezes avisando que era melhor ter calma, pois o começo é sempre devagar. O que me espantou foi que em apenas duas semanas ela, além de desanimar, nem mais queria ir à escola. Foi uma mudança radical.

Crianças mudam mesmo de ânimo facilmente, por isso que é uma tarefa muito difícil para o EDUCADOR manter o interesse dos alunos. Por outro lado é frustrante para os pais em uma reunião com a professora perceberem que ela nem ao menos se expressa em um português adequado a uma alfabetizadora. Meus dois filhos estudam em escola pública, ela numa municipal e meu filho de onze numa estadual. Fui a reuniões com algumas professoras, em várias dessas ocasiões tive a decepção de observar o quanto se expressavam com inadequações de concordância ou vocabulário. Isso é assustador e fica claro que é vital ajudar na educação escolar dos filhos. Interessante que o material didático é bom, muitos vindos de escolas particulares famosas. O que leva a crer que os problemas são, principalmente, de recursos humanos.

De fato, minha filha desanimou e andou dificultando para ir à escola, mas a classe está tão lenta que ainda não saíram do básico de alfabetização. O mesmo não se dá quando o assunto é religião.

Desde o início das aulas, ao eu questionar o que ela aprendeu no dia, vinha com algum conto da bíblia. Não somente isso, mas também desenhos bíblicos, vídeos bíblicos, joguinhos bíblicos e, claro, oração na classe todo santo dia. Se fosse para ser catecismo ou escola dominical, certamente os trabalhos estariam andando que é uma beleza, mas ensino secular mesmo é uma tristeza. Pelo visto é mais fácil fazer proselitismo religioso do que dar as bases do ensino secular e do futuro bem estar social para uma criança.

Isso me pareceu receita para se fazer analfabetos funcionais e também explicaria muito do Brasil atual.

Resolvi que era melhor primeiro telefonar na Secretaria de Educação aqui em Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo. Perguntei se eles tinham a grade de matérias para a primeira série. Após gentilmente procurarem e não encontrarem, perguntaram-me qual era meu interesse e expus a situação que aqui relatei. Expliquei que eu e minha esposa somos ateus e queremos uma educação laica a nossos filhos enquanto crianças. Tentaram desconversar sobre a laicidade da escola pública, orientando-me a conversar com a professora, sem, no entanto, quererem se envolver.

Não adianta, embora seja responsabilidade da Secretaria de Educação ver o que esta ocorrendo em suas escolas, ela se omite ao encarar a religião. É possível afinal que a funcionária possa ser até da mesma congregação da professora. Em cidades pequenas a separação entre igreja e estado é praticamente inexistente. Por isso mesmo não fui falar com a professora e correr o risco de trazer um estigma a minha filha por ter pais ateus. É um risco alto demais para correr, não quero ver minha filha sofrendo bullying por conta da descrença dos pais.

Resolvi então preparar meus filhos para entenderem melhor o mundo cristão em que vivem. Em cidade pequena é bom ter certa cautela com esse tema. Explico aos meus filhos como religiosos são sensíveis ao tocar em suas crenças e como isso pode ser perigoso. De certa forma em ambiente tão religioso como o daqui, é bom viver com os cuidados de um herege na idade média.

Tenho então tenho lido um pouco da bíblia aos meus filhos explicando o pensamento judaico-cristão e as bases de algumas crenças. Acabou sendo interessante apresentar os contos da Bíblia sem o peso do dogma religioso e abrindo espaço para as opiniões deles.

Deus não sobrevive ao olhar critico e sincero das crianças, basta elas estarem livres para perguntar.

Numa coisa agora concordo com os religiosos: A bíblia pode ser boa para as crianças.

Fonte: Bule Voador

Pense Sorrindo [41]


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Para quem não gosta, toda feminista é radical



Minhas leitoras e leitores são demais! Aprendo muito com el@s. Eu escreveria um post gigantesco pra expressar claramente o que a Liana foi capaz de dizer em um parágrafo: 

“Misandria = ódio ou desprezo pelo sexo masculino. Feminismo = movimento que defende direitos iguais e uma vivência humana liberta de padrões opressoresbaseados em normas de gênero. Bem diferente. Qualquer mulher que diga que homens deveriam não existir, que estaríamos melhor sem eles, estão propagando ideias misândricas, e não feministas. Aí está o termo extremista, já existe, não precisam inventar nenhum xingamento ou expressão chula. E tampouco relacionar uma com a outra. Se alguma mulher dessas se envolver em querelas feministas, relacionem a atitude dela com aquilo que ela é... uma misândrica”. 

Perfeito. De fato, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Achar que feministas odeiam homens é ideia (fixa) de quem odeia o feminismo, mas está longe de ser verdade. Na realidade, eu não conheço uma só feminista que se encaixe nesse perfil, e olha que eu conheço um monte (mais virtualmente que na vida real, mas ainda assim). Conheço algumas mulheres que, não sei se realmente odeiam homens (quem é louc@ pra odiar metade da humanidade? Opa, os mascus!), mas vivem dizendo “Homem não presta”, “homem é tudo igual”, e emitindo opiniões muito desfavoráveis aos homens de forma geral. Ironicamente, nenhuma dessas mulheres é feminista. Pelo contrário, elas detestam o feminismo. 

Também não entendo por que algumas pessoas têm a necessidade de um rótulo para chamar @s “extremistas” de um movimento. Quem é extremista? Quem é radical? De acordo com que padrão? Se extremistas existem em todo e qualquer movimento, eles são minoria. São tão minoria que a maiorparte dos ativistas nem sabe que existem. Mas sabe quem sabe, ou acha que sabe, que extremistas existem? Quem vive de criticar todo e qualquer movimento social. Pra essas pessoas, o próprio fato de existir um movimento social que luta por direitos já é um ato extremista. Essa gente ou quer manter seus privilégios intocados ou acha que ninguém tem que se mexer, que revolta é coisa de comunista, ou, como disse um leitor esses dias, de “estudante de Humanas”. Porque o mundo é uma maravilha só do jeito que tá, e em time que está ganhando não se mexe, se melhorar estraga, né? 

Os mascus, por exemplo, que têm como missão declarada destruir o feminismo,que tanto empobreceu as mulheres (eles gostariam de voltar à década de 1950), só conhecem uma feminista: Valerie Solanas. Eles têm muito mais familiaridade com a Solanas do que eu. Apesar de eu me considerar feministadesde criancinha, só ouvi falar na Solanas quando vi um filme independente, Um Tiro para Andy Warhol. E no filme o mais importante é o que tá no título (ela atirou num artista super conhecido; felizmente não conseguiu matá-lo), não que ela é feminista. Ela escreveu um manifesto chamado SCUM, cujas iniciais talvez (isso não está em nenhum lugar do livro) signifiquem Society For Cutting Up Men(Sociedade para Mutilar os Homens). O manifesto é absurdo, e muita gente acha que Solanas estava sendo sarcástica. Obviamente quem pensa que todas as feministas são como Solanas creem que ela estava falando seríssimo. De um jeito ou de outro, achar que Solanas representa o feminismo, que ela é sequer um nome importante, é tão ridículo quanto dizer que Jack o Estripador representa os homens. 

Enfim. Nunca vi o termo “feminista radical” (ou seu insulto pesado, feminazi, criado por Rush Limbaugh, um dos maiores reaças americanos) ser usado com um mínimo de bom senso. Ele é empregado toda vez em que uma feminista não fica lá, quietinha no seu canto, calada e fofinha, deixando que os homens falem por ela, ou quando critica alguém. Qualquer um. Qualquer coisa. Como disse a Liana num outro comentário, em quase 100% das vezes que ela ousou dizer que algo era machista, falaram pra ela relevar, não dar importância. Tem algum post aqui sem algum comentário do tipo “Tem tanta coisa mais importante acontecendo no mundo e vocês ficam falando disso”? Se essa mesma feminista que ouve um “Releve, deixa estar”, não relevar e criticar, o que acontece? Aí ela deixa de ser feminista, esse conceito abstrato, e torna-se uma feminista radical. 

Não que haja algo errado em ser radical. Radical quer dizer que você realmente defende uma causa? Que pessoas que já não gostam da sua causa vão se irritar? Que você vê machismo até em inofensivas piadas? Que você não acha que um filme é só um filme? Se for isso, sou radical.

Tem quem defenda o uso defemista pra diferenciar feministas de mulheres que odeiam homens. Nunca useifemista e não sei de onde veio, mas desconfio que foi da mente torpe de alguém sem apreço pelo feminismo, que cria um termo com uma só sílaba a menos para confundir. Não tem por que usar femista, até porque o termo associa ódio ao homem exclusivamente a mulheres e feministas. Quando a gente se refere a alguém que odeia mulher usa só o prefixo mis, que quer dizer ódio, com o radical gino, mulher. Por que com ódio aos homens deveria ser diferente? Misândrico segue o mesmo princípio correto: o prefixo mis com andro (homem). 

Nessa confusão sobre o que é feminismo radical se misturam outras besteiras. Por exemplo, isso de achar que toda mulher é feminista. A gente sabe que não é, e que inclusive tá cheio de mulher com os mesmos valores machistas dos homens. Mas, na hora de atacar femininista, vale tudo ― até inventar que mulheres num programa de TV americano que riram de um pênis decepado seriam feministas. Essas mulheres nunca se declararam feministas. É um programa de auditório bem baixo nível. Mas, pronto, elas viraram feministas de uma hora pra outra pra quem tava louco pra atacar o feminismo. 

Rir de pênis decepados, sacanear homens, objetificar homens, odiar homens, piadinha sobre homem incapaz, comercial de produtos de limpeza tratando homens como incompetentes (e assim perpetuando a lenda de que só mulher pode cuidar da casa) ― nada disso é feminismo. Nem feminismo limpinho e cheiroso nem radical, seja lá o que for isso.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vítimas de pedofilia denunciam papa para tribunal internacional

Uma associação americana de vítimas de padres pedófilos anunciou nesta terça-feira ter apresentado uma queixa ante o TPI (Tribunal Penal Internacional) contra o papa Bento 16 e outros dirigentes da Igreja católica acusando-os de crimes contra a humanidade.

Os dirigentes da associação SNAP (Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres, na sigla em inglês), orientados pelos advogados da ONG americana "Centro para Direitos Constitucionais", entraram com uma ação para que o papa seja julgado por "responsabilidade direta e superior por crimes contra a humanidade por estupro e outras violências sexuais cometidas em todo o mundo".

A organização acusa o chefe da Igreja católica de "ter tolerado e ocultado sistematicamente os crimes sexuais contra crianças em todo o mundo". Foram acrescentadas à queixa 10 mil páginas de documentação de casos de pedofilia.

A SNAP possui membros nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Bélgica, quatro países muito afetados pelo grande escândalo de pedofilia que envolve a Igreja.

"Crimes contra a dezenas de milhares de vítimas, a maioria crianças, foram escondidos pelos líderes nos mais altos níveis do Vaticano. Neste caso, todos os caminhos levam a Roma", declarou a advogada Pamela Spees.

Os bispos e, em alguns casos, o próprio Vaticano, rejeitaram ou ignoraram muitas das queixas das vítimas de padres pedófilos. O escândalo desacreditou a Igreja em vários países na Europa.
Bento 16 expressou sua vergonha e pediu desculpas, apelando para a tolerância zero contra os pedófilos. Ele também pediu aos bispos do mundo, que têm a responsabilidade primária sobre seus sacerdotes, a plena cooperação com os tribunais criminais.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Operação Independência





"Um símbolo sozinho pode não representar nada, mas se todos se juntam, um símbolo pode significar muito, pode significar a mudança de um pais"
- V de Vingança

Para quem não sabe o que significa, é o movimento contra a corrupção que ocorrerá no dia 07 de Setembro de 2011. Ocorrerá nas capitais brasileiras, e nas cidades onde tenha gente suficientemente corajosa para abraçar essa causa. O movimento foi criado pelo grupo Anonymous Brasil com apoio do Mascarado Polêmico, e necessita de sua ajuda para que realmente cause algum efeito.

Esperamos contribuição de todas as pessoas cansadas com a real situação atual do Brasil e preocupadas com um futuro melhor. Dica para quem quiser entrar nessa "briga": procure apoio nas escolas, sindicatos, e divulgue a causa. Chame atenção de quem quer mudança, e quem procura fazer a diferença.

ATENÇÃO CONVIDADOS PARA O PROTESTO! Isso não é um convite a um protestozinho online, contamos com a REAL presença de vocês!


Fonte: FaceBook
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...